quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Arte? Política? Muralismo???

Mural com colaborações dos participantes do ELAOPA




Como disse Brecht, com quem simpatizo (se é que se pode simpatizar com um morto, hehe), toda obra de arte é política, posto que expressa, inevitavelmente, a posição – ou ausência dela – do artista diante do contexto social em que se encontra.
Pois bem, por isso resolvi escrever aqui um texto inspirado pela participação no IX ELAOPA – Encontro Latinoamericano de Organizações Populares Autônomas, que aconteceu em Jarinu do dia 22 ao 24 de janeiro de 2011.
Graças a um convite da Cris e um flerte de longa data com o anarquismo, resolvi me aventurar por essas bandas libertárias, mesmo não representando organização nenhuma.
A surpresa foi bela e eis que entro no novo ano cheia de ideias e projetos.
Mas o que diabos tem isso a ver com arte e atualidade? Tudo, caríssimes, tudo! Uma das questões, que nos é muito cara, é sobre um possível papel da arte, voltando inclusive ao Brecht.
Então, a arte tem papel na sociedade em que vivemos? Qual será este papel? Lamento desapontá-l@s, mas não sei. Porém, claro, como todes, tenho direito a uma opinião.
Não tivesse a tal da arte um papel, eu pessoalmente não dedicaria tanto tempo e disposição, da minha preciosa e limitada vida, a ela. Penso também que muites artistas devem compartilhar de minha impressão. A essas famigeradas obras de algumes chamades às vezes de loucos e loucas, devo boa parte de minha emancipação, conscientização, humanização, enfim, tudo que considero fundamental para uma vivência humana mais plena possível.
Daí proponho que a arte, enquanto despertadora de tantos aspectos fundamentais às vidas humanas, tenha então este papel.
Que nos devolva o poder de sonhar. Que nos mostre outras realidades possíveis e que nos faça mais fortes para lutar por uma dessas realidades, desenvolvendo livremente nossas potencialidades, faculdades e talentos. Que seja a centelha para a fogueira que adormece em nossos corações entorpecidos por uma realidade que nos reprime e nos cerceia o acesso ao livre-pensamento. Que essa fogueira se levante e queime, com outras fogueiras, tudo que insiste em nos congelar, e que sirva de centelha para outras adormecidas que juntas devolvam o calor do que realmente importa para vivências mais completas.
No ELAOPA, descobri uma ligação intrínseca entre arte e anarquismo expressa pelo que chamam de Muralismo. Bom, fica para o próximo post essa forma de expressão popular autônoma. Até!

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